
Fincher se afirma na contramão do pensamento moderno de liberdade e felicidade. Ele diz, sutilmente, que o homem em gênero e espécie preciza da luta, da destruição de sí e do inimigo para tornar-se vivo. Ele renasce a cada luta, os socos, os pontapés e os esganamentos o regeneram.
Isso é ser homem, é lutar. Talvez por isso o Clube torne-se tão atraente aos homens oprimidos pelo corporativismo e pela sociedade da paz e harmonia artificial.A necessidade de se sentir vivo e importante dentro de um grupo com um viés anárquico/totalitario é tremenda. Todos abdicam de seus nomes, de suas roupas, de seu consumismo (os sonhos). Tornam-se unidades, "os macacos espaciais" vestem preto, estão prontos para a morte, são os rejeitados de Deus. São como um câncer que corrói a sociedade humana, porém ,são a maioria. Estão em todos os cantos, eles são as células periféricas, as formigas, a massa. Constituem a força maior. Neste ponto é visivel o ângulo "marxista-anarquista" da historia, contraditoriamente eles são sonhadores, vivem sob uma utopia.
O líder
Tyler, ele é um símbolo. Se você gostou dele, caiu na armadilha de Fischer. Um líder nato, narcizista, sedutor, belo, egoísta e ,acima de tudo, um gênio-louco. Sua estruturação militarizada- fascista não e´mera coincidência aos olhos do espectador. Sua sedução é brilhante, sua ação é maquinada, quase perfeita. Os "macacos espaciais" (ou seja, cada um de nós) somos sua SS, sua guarda negra. Ele se iguala e se difere de seus seguidores, irradia/absorve "a" e "de"todos, é Hitler(na acepção clássica), mais belo e loiro.
Marla, o ponto convergente.
A personagem Marla é um ponto de intersecção entre Tyler e Norton. Contraditoriamente representa a "razão" e a estabilidade em meio à caótica personalidade de Norton. Ela sofre e desfruta do "médico-monstro", o renega, o ama, no fim tenta abandona-lo. Representa para Norton seu porto seguro, é um motivo para seguir em frente. Para Tyler, a mulher(especificamente e em gênero) lhe traz fraqueza (...livre-se dela!). Tyler em certo ponto do filme, afirma:"Somos uma geração de homens criados por mulheres", logo depois se referindo ao casamento:" será que preizamos de mais mulheres?!". Além disso, sua referencia divína é flagrantemente masculina, ele relaciona o abandono do pai ao ódio do Pai sobre sí.


